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Garotada gordinha, sinal de problema!

Estima-se que hoje, 300 milhões de crianças sofram com a obesidade e seus riscos à saúde.

Descubra os culpados e o que fazer para dar ao seu filho um futuro mais leve e saudável.

Recentemente, o Brasil se espantou com um artigo publicado no Journal of the American Medical Association pelo especialista em obesidade infantil de Harvad, David Ludwig. Ele defendia que crianças extremamente obesas fossem afastadas dos pais e vivessem, temporariamente, em orfanatos para recuperar a saúde.

No Brasil, uma mãe pernambucana, por pouco, não perdeu a guarda do filho de oito anos, porque o menino estava gordo. É isso mesmo. A criança pesa 68 quilos e, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é considerada obesa. A mãe foi denunciada pelo próprio pai do garoto, que alega negligência pela parte materna.

Casos semelhantes vêm acontecendo em outras partes do mundo. Na Inglaterra, o serviço social do país tentou tirar a guarda de Connor McCreaddie, também de oito anos, de sua mãe. O motivo: o garoto estava pesando quase 90 quilos. O órgão público alegava que a mãe era incapaz de controlar a dieta do filho, colocando a vida da criança em risco. Com os quilos extras, Connor não consegue se vestir, perde o ar com freqüência e tem ânsias.

As crianças ainda continuam sob os cuidados das respectivas mães. Mas tanto lá como aqui, o ocorrido causou polêmica e serviu para colocar novamente em discussão uma tendência mundial, de proporções assustadoras.

A obesidade infantil já atinge 300 milhões de crianças, segundo dados da International Obesity Taskforce (IOTF), entidade que estuda meios para combater a obesidade mundial.
No Brasil, passa de 25% a parcela de crianças fora do peso. Os números preocupam ainda mais, quando se percebe que há 10 anos a incidência de obesidade infantil era muito baixa.

O USO DE MEDICAMENTOS E DA CIRURGIA BARIÁTRICA - AQUELA QUE REDUZ O ESTÔMAGO - SÃO PROIBIDOS NO TRATAMENTO DA OBESIDADE INFANTIL

 

Doença, sim, e multifatorial

Há várias causas para explicar esse surto de gordinhos pelo planeta: alterações genéticas, hereditariedade, má alimentação, sedentarismo e até fatores emocionais... Mas os especialistas são unânimes em apontar o atual comportamento infantil como o grande vilão. Antigamente, a criança ia à escola a pé, brincava na rua, corria. Não ficava tanto tempo em frente à TV, computador ou videogame. Além disso, as comidas eram mais saudáveis, sem salgadinhos ou refrigerantes.

 

SERÁ QUE O PESO DO SEU FILHO É NORMAL?

Para saber se uma criança gordinha está no grupo de risco, ou seja, com sobrepeso ou se é obesa, siga as instruções a seguir e faça uma continha bem simples:

Divida o peso real da criança pelo peso ideal (como consta na tabela a seguir). Depois, multiplique o resultado por 100.

Exemplo: peso real (20 kg) / pelo peso ideal (16 kg) = 1,25 x 100 = 125.

Se o valor estiver entre 110 e 120, seu filho está na faixa de sobrepeso. Acima de 120, ele já é considerado obeso. Em ambos os casos, é preciso buscar ajuda especializada.

FONTE: CENTRO DE CONTROLE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS (CDC), LIGADO AO DEPARTAMENTO DE SAÚDE DO GOVERNO NORTE-AMERICANO

 

CARDÁPIO DA GAROTADA: RICO EM CALORIAS

Ao entrar em um supermercado, fica fácil constatar como os produtos calóricos estão acessíveis. Há pacotes de bolachas recheadas custando menos de R$ 1. Salgadinhos, então, é possível encontrá-los por R$ 0,50. "São alimentos altamente calóricos, com muito carboidrato e gordura", alerta a endocrinologista paulista Zuleika Halpern, representante do departamento de obesidade infantil da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). Para o Ministério da Saúde, o Brasil está passando por um período de transição nutricional. Trata-se do abandono de hábitos alimentares saudáveis (o consumo de frutas, verduras e cereais), e da adoção de uma dieta pobre nutricionalmente, rica em sal, açúcar, gorduras e poucas fibras.

O que se vê é uma inversão. Enquanto os produtos saudáveis estão mais caros, os prejudiciais ficam mais baratos. Isso faz com que as crianças tenham acesso a esses alimentos todos os dias.

Geneticamente, o homem tem uma tendência a acumular gordura, desde o tempo das cavernas. Como o alimento era escasso, sobreviviam apenas aqueles que tinham essa energia extra guardada. Mas o tempo passou e não precisamos mais caçar o nosso alimento. "O problema é que a genética não acompanhou as mudanças na sociedade, e as pessoas continuam comendo e acumulando cada vez mais calorias no organismo. 

É por isso que o pilar principal do tratamento de obesidade infantil é a tão falada e subestimada reeducação alimentar. "A alimentação básica do brasileiro, composta por arroz, feijão, carne e salada, é saudável. Então, quando mostramos para a criança que se ela comer direitinho vai perder peso, os resultados aparecem rapidamente", explica a médica Zuleika Halpern da Abeso. Mas não adianta a criança fechar a boca sozinha. Toda a família tem que se envolver, afinal os pais são modelos para os filhos.

NA FAIXA ETÁRIA ENTRE 10 E 19 ANOS, O EXCESSO DE PESO AFETA UMA EM CADA CINCO MENINAS NO BRASIL

 

OS RISCOS DA OBESIDADE INFANTIL

 Conheça as principais complicações causadas pelo excesso de peso:

PROBLEMAS EMOCIONAIS: crianças e adolescentes estão em plena formação de sua personalidade, e os impactos emocionais o acompanharão por toda a vida. Obesos são motivo de gozação pelos colegas e são excluídos das brincadeiras. A criança passa a se sentir uma perdedora, não tem vontade de sair de casa, não gosta da imagem que vê no espelho e pode até desenvolver depressão.

DIABETES: o aumento de peso provoca alterações na insulina, que controla as concentrações de açúcar no sangue. Cerca de 50% das crianças obesas desenvolvem diabetes, caso não procurem um tratamento rapidamente.

PROBLEMAS CARDIOVASCULARES: o coração incha e fica saturado pelo excesso de gorduras. A pressão alta pode afetar crianças gordinhas, e isso aumenta as chances de infarto. Mais de 25% dos pacientes que permanecem obesos, por sete anos, desenvolvem algum problema cardiovascular.

COLESTEROL ALTO: o excesso desse tipo de gordura na corrente sangüínea é cada vez mais comum nas crianças obesas a partir dos cinco anos de idade. Esse acúmulo favorece a formação de placas nas artérias, aumentando as chances de doenças cardíacas e derrame cerebral antes dos 30 anos.

ALTERAÇÕES NO SONO: é comum a criança obesa apresentar apnéia enquanto dorme. Trata-se de uma desordem em que a pessoa pára de respirar por alguns segundos. Quando os obesos dormem, a musculatura fica relaxada e o peso da gordura na face e no pescoço comprime a garganta e dificulta a passagem do ar. Com isso, o pequeno acorda várias vezes à noite com a sensação de sufocamento.

DESCAMAÇÃO, MICOSE, BROTOEJA: os gordinhos são cheios de dobrinhas de pele que, pela dificuldade de secagem, estão permanentemente úmidas e se transformam no lugar ideal para a formação e proliferação dos fungos. Além disso, há o suor excessivo.

VARIZES E TROMBOSE: o excesso de gordura dificulta a circulação sangüínea. Crianças obesas têm quatro vezes mais chances de ter esses males quando adultos.

PROBLEMAS ORTOPÉDICOS: crianças obesas apresentam pés planos e alterações nas curvaturas dos joelhos, pernas e tornozelos provocadas pelo excesso de peso. Se não tratados adequadamente, podem acompanhar a pessoa pelo resto da vida. Os desvios na coluna são comuns.

 

INFÂNCIA SEDENTÁRIA

As horas de lazer ficaram mais raras e os espaços para brincar reduzidos. Correr na rua atrás dos amiguinhos, é cada vez mais raro.  Somado a isso, ainda temos o problema das comodidades da vida moderna.

Temos o controle remoto, o carro, o computador e o videogame que distrai as crianças por horas seguidas.

"Para mudar o quadro, basta que a criança mexa o corpo, brinque mais, corra mais", diz o educador físico Gilberto Baccan Júnior, do Espaço Leve, de São Paulo. "Quando a criança está com excesso de peso tem que começar com uma atividade física moderada, bem lúdica, com a intenção de motivá-la a praticar mais exercícios. Caso contrário, a garotada desiste."

 

EMOÇÕES E ALIMENTOS

"A partir dos oito anos, usar a alimentação como válvula de escape é muito comum. A garotada continua a comer, mesmo se sentindo empanturrada, com dor de barriga e malestar", afirma a psicóloga Silvana Martani, da Clínica de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e autora do livro Uma Viagem pela Puberdade e Adolescência (Ed. Aldeia Cultural). Essa busca de saciedade emocional, do alimento como a principal fonte de prazer, pode ser causada por vários fatores - entre eles uma fuga da própria obesidade que já existe. "Essa criança não pratica esporte, ganha apelidos na escola, tem dificuldade de ingressar nos grupos. Então, prefere ficar em casa e acaba comendo mais".

Uma pesquisa realizada em 2002 pela psicóloga infantil Patrícia Spada, especialista em obesidade, mostra que as mães podem ser culpadas por essa associação emoções-e-apetite.

 

GENES E GULA

Atualmente, a ciência sabe que há mais de 100 genes associados ao excesso de peso. Mas ainda se conhece pouco sobre a fisiologia da doença.

Ter pais obesos influencia muito. Se o pequeno tem só o pai ou a mãe fora do peso normal, ele apresenta 50% de chances de ser gordinho. Agora, se os dois adultos são obesos, as chances aumentam para 80%. "A criança que já possui predisposição genética e ainda vive em um ambiente de obesos, com certeza, desenvolverá a obesidade", alerta a médica Zuleika Halpern. Por isso, é importante investir o quanto antes na prevenção. "Há pessoas que acham que até os três anos a criança pode engordar tudo o que quiser. Mas, quando chega aos quatro, ela já pode estar obesa. Há estimativas que mostram que as crianças que chegam obesas à adolescência têm 80% de chances de permanecer assim na vida adulta. 

 

Fonte: Nutrical

 

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