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Luto Infantil

A vida consiste de várias perdas e separações e, uma perda cedo na vida pode preparar a criança para traumas posteriores. A maior perda que uma criança pode sofrer é a morte de um dos pais. Estatísticas estimam que a cada ano cerca de meio milhão de crianças sofrem a morte do pai ou da mãe.

Geralmente o cônjuge sobrevivente deseja proteger e privar a criança de sofrer e acaba evitando que a mesma experimente a perda, exprima angústia e compartilhe o luto da família. Porém, a criança possui os mesmos direitos e necessidades que os adultos de perceber e lamentar o que ocorreu.

 

Como proceder?

Quando ocorre uma morte a informação deve ser dada a criança por uma pessoa que tenha uma história de confiança e envolvimento com ela (o pai, a mãe, um tio(a) próximo, etc.) pois, isto lhe assegura que não está sozinha e que há outras pessoas para lhe proporcionar proteção e cuidados.

A informação deve ser dada em linguagem simples e direta por exemplo, "O vovô/papai/mamãe morreu". É um momento muito difícil e, portanto, pode ser dito entre lágrimas, pois com este gesto a criança vivenciará seu luto junto ao dela. Você estará ensinando a lidar naturalmente com seus sentimentos, quando você não esconde os seus.

Também poderá ser dito nesta situação frases como "Estou muito triste porque o papai/mamãe/vovô morreu", pois você estará ensinando um recurso (a fala) que a criança irá utilizar para sempre para expressar seus sentimentos.

Após contar sobre a morte explique o que acontecerá depois como o funeral e o velório. O funeral permite que as pessoas se juntem e expressem seus sentimentos, é necessário que ela saiba como é para decidir se quer ou não ir.

 

A criança terá muitas dúvidas de acordo com a idade e experiência prévia com a morte.

* 0 a 6 anos – não entendem o que a morte é afinal e, podem perguntar quando a pessoa que faleceu irá voltar;

* 6 a 10 anos – começam a compreender que a morte é irreversível, mas acreditam que ocorre somente com pessoas idosas ou com vítimas de acidentes, podem questionar quando uma pessoa relativamente morre

* Após os 10 anos – começam a entender que a morte faz parte da ordem natural das coisas e que as pessoas morrem em idades diferentes e por diversas razões.

 

Em geral, o enlutado passa por 5 fases distintas, podendo acontecer com as crianças. São elas:

1. Negação - é uma reação de resistência ao choque e à profunda dor. A pessoa se sente atordoada ou emocionalmente adormecida, o discurso baseia-se em “não, eu não merecia isso”, “porque isto aconteceu?” ou “porque eu não evitei?” “Isto não pode estar acontecendo”. É o início do luto, apego ao que se perdeu e uma tentativa de manter consigo, algumas vezes chega até ver ou ouvir a pessoa perdida.

Aqui muitas coisas perdem o sentido, e até as tarefas mais simples são difíceis demais de serem realizadas. É a fase de maior sofrimento.

2. Raiva - acontece a reação, normalmente de revolta: “Como pode Deus (ou a vida, ou o destino) fazer isto comigo?”. Acontece um período de grande agitação e ansiedade pelo que foi perdido. Quem sofre não consegue relaxar ou concentrar-se e o sono é alterado, com possíveis noites insones e o corpo está de prontidão para se defender de qualquer outra possível decepção.

Nesse estágio, a raiva pode se voltar tanto para uma entidade superior como também contra qualquer pessoa pelo ocorrido, incluindo a si mesma, médicos e enfermeiros, amigos e familiares que não foram úteis, ou mesmo contra a pessoa(coisa) que perdeu.

3. Barganha – começa uma tentativa desesperada de negociação com a emoção ou com quem acha ser o culpado: “prometo ser uma pessoa melhor se ele voltar”, “subirei as escadas da igreja de joelho”, “preciso de mais tempo para mudar”, “em outro hospital terei novo diagnóstico”.

Outro sentimento comum é a culpa: pensar em tudo que não foi feito ou dito e que poderia evitar. Simplesmente quem sofre não aceita que a perda está acima de qualquer controle. A culpa pode surgir inclusive, depois de sentir alívio pela morte de alguém que sabia sofrer, porque esse é o sentimento que serve como “culpado” nessa fase.

4. Depressão - “Não consigo passar por isto”, “minha família não merece sofrer assim”. O foco principal são as datas comemorativas (aniversário, ano novo etc.), povoadas de fortes lembranças provocando crises de choro, momentos depressivos, e o estado de agitação referido na fase da raiva e barganha é geralmente seguido de períodos de grande tristeza, isolamento e silêncio.

Esta mudança súbita de emoções costuma preocupar as pessoas próximas, mas é um estágio essencial para a resolução do luto, pois o enlutado faz uma análise mais franca em tudo que aconteceu e escolhe enfrentar o fato para recomeçar a sua vida.

5. Aceitação - “Ok, não terei de volta, não há sentido em continuar nessa luta”. Com o tempo, as fases são ultrapassadas gradativamente. A depressão chega ao fim e a mente busca novos assuntos. O sentimento de perda nunca desaparecerá por completo, mas sim administrado de forma que seja possível continuar, seguir em frente.

A saudade é mais bem administrada, e o sobrevivente sabe que não terá o passado de volta, cabendo-lhe apenas retomar sua vida.

 

É imprescindível responder as questões o mais simples e honestamente possível, sem utilizar metáforas. Porque se você diz para uma criança pequena que "O vovô está dormindo para sempre", ela pode passar a ter medo de dormir.

Algumas das reações que a criança pode demonstrar são: inicialmente negar que a morte ocorreu; tornar-se agressiva ou culpar a pessoa que morreu, por deixá-la; pode ficar deprimida ou regredir e começar a chupar o dedo, molhar a cama e agir como um bebê, tornar-se hostil ou pode desejar/temer morrer.

A criança também tem necessidade de enlutar-se para aceitar que essa perda ocorreu e continuar a vida. Por isso deixe que seu filho chore com você e que expresse sua tristeza. Mostre que é permitido falar sobre a pessoa que faleceu, mesmo quando a criança é muito pequena, para falar sobre a morte, ela pode expressar seus sentimentos. O luto é o caminho para uma nova etapa da vida. 

 

Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui

 

Fonte: Adriana Falcão Duarte – Psicóloga e Clínica Infantil Reibscheid

 

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Comentários

Fanny

Aqui em casa tivemos uma experiência muito "interessante" relacionada a luto. No começo do ano nossa cadela de 14 anos faleceu (lógico que nem se compara a perda de uma pessoa, mas a maneira como minha filha de 3 anos e meio na época, expressou os sentimentos foi "curiosa"). Depois de 2 meses de cuidados intensivos, fazendo curativos em feridas abertas tres vezes por dia, indo e vindo da clinica veterinária onde o cacchorro ficava internado e voltava, resolvemos que já era muito sofrimento e já sabiamos que tinha tinha volta. Então quando minha filha saiu de manhã resolvi conversar com ela: querida, você está vendo que a Sarah (nosso cachorro) já está muito velhinha e doente, e essa ultima noite ela já não levantou nem para beber água, então acho que quando você voltar da escola ela não vai mais estar aqui. "ela vai morrer mamãe? " vai, vc quer se despedir dela? "quero: - tchau Saraha". e foi só. Ela nunca mais falou no cachorro. Eu e meu marido sofremos muito, foram 14 anos de convivencia, era nossa companheira. e estranhavamos a maneira como nossa filha parecia nem ligar... . 3 meses depois ela estava assistindo o filme da Branca de neve, e quando os anões encontraram a Branca de neve desmaiada e começaram a chorara ela me perguntou: -mãe, por que eles estão chorando?" Ah, eles estão muito tristes porque acham que a Branca de neve morreu e quando alguém que a gente gosta morre a gente fica triste e chora...essa explicação de como expressar o sentimento de tristeza frente a perda de alguém querido era o "elo" que estava faltando, a Mel chorou inconsolavelmente durante 40 min porque nosso cachorro tinha morrido. Então entendi que no dia, enquanto nós sofriamos ela simplesmente não sabia o que sentir, ou como "por para fora" os sentimentos.

 

É isso ai Fanny! Por isso que é muito importante sempre falar a verdade para as crianças e deixarem elas "cutirem" o luto da forma delas...

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