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Criança gordinha não é criança saudável

A obesidade infantil é, cada vez mais, um problema para as famílias 

Antigamente, bebê bonito era o bebê gordinho. E bebê gordinho frequentemente se torna uma criança gordinha e um adulto obeso.

Problema para a vida toda! Os números divulgados pelo IBGE em 2009 apontam um dado preocupante: uma em cada três crianças de 5 a 9 anos estava acima do peso recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E isso pode ser encontrado em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras.

Os números aumentam na mesma proporção em que os pequenos são expostos a uma alimentação errada e ao sedentarismo, as principais causas da obesidade infantil. “Por várias razões, as crianças estão gastando menos energia e consumindo mais calorias”, explica o endocrinologista pediátrico Hilton Kuperman, pai de Eduardo e Arthur. “95% dos casos são problemas de excesso de ingestão e apenas 5% por alterações metabólicas”, completa.

Outro fator importante é a genética. De acordo com o endocrinologista, crianças com pais não obesos têm 8% de chance de se tornar um. Já quando apenas um deles tem excesso de peso, este percentual sobe para 30%. E quando os dois têm obesidade, o número aumenta para 80%.

Segundo Rosana Radominski, mãe de Guilherme e Aline, presidente do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), em dez anos, o excesso de peso nesta faixa etária aumentou quase duas vezes e meia nos meninos e mais que três vezes nas meninas. “É um avanço muito rápido e expressivo, considerando que a preocupação até o momento sempre foi em relação à erradicação da desnutrição”, afirma.

Além da genética, do sedentarismo e de uma alimentação ruim, não se pode esquecer dos fatores sócio-comportamentais que também contribuem para o aumento do peso infantil. “Todo o ambiente em que a criança está inserida acaba influenciando a questão da alimentação saudável, como a escola”, diz a psicóloga Bruna Puga, filha de Marilene e Wagner.

 

Questão de Saúde

O acompanhamento com um pediatra deve ser feito regularmente desde o nascimento. “Consultas periódicas com o pediatra vão favorecer o diagnóstico precoce do excesso de peso. A percepção familiar é muito contaminada. Até pouco tempo, criança gordinha era criança saudável”, alerta Rosana.

A obesidade traz complicações parecidas com aquelas que encontramos nos adultos. O que muda, em alguns casos, são as manifestações.

É comum excesso de gorduras no sangue (colesterol ruim e triglicerídeos), baixo colesterol bom, resistência à insulina (predisposição à diabetes no futuro), hipertensão arterial, problemas pulmonares e articulares, asma, depósito de gordura no fígado. “As complicações cardiovasculares vão se manifestar no futuro”, aponta a presidente do SBEM.

Por isso, em nome da saúde, é preciso procurar um profissional que ajude com medidas que vão reduzir de forma progressiva o peso da criança.

Exames e orientações de melhoras na alimentação e atividade física fazem parte do pacote. “A prática de exercícios deve ser aquela que a criança goste, algo gostoso e atraente. Se não, é remédio amargo”, fala Kuperman. Outro bom conselho é o exemplo. Se os pais não têm bons hábitos alimentares, não praticam atividades físicas, não dá para esperar uma atitude diferente dos filhos.

 

Caminho com volta

Saber dos problemas que o excesso de peso acarreta é importante para a criança. “A forma de abordagem depende da sensibilidade de cada uma”, aconselha Kuperman. Já Rosana Radominski, afirma que todos devem trabalhar juntos e que proibir, assustar e transferir a responsabilidade para a criança não resolve. “Quem cria o ambiente obeso é a família e a sociedade. A criança obesa não entende a diferença entre ser magro e gordo”, completa a profissional.

Segundo a psicóloga Bruna Puga, do ponto de vista psicológico, as crianças acima do peso podem desenvolver uma baixa autoestima, distúrbios ligados à imagem corporal e outras questões. “Os pais devem dar suporte a essa criança verificando, entendendo e ouvindo as possíveis queixas ambientais”, afirma a psicóloga.

 

Fonte: Revista Pais & Filhos

 

 

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