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Adaptação ao Berçário - Foi assim comigo!

De quem é a adaptação? Dos meus filhos ou minha?

 

Esta semana passei por isto. E apesar de ser a segunda vez, não foi nada fácil...

Quando o Bruno era pequeno, muito pequeno mesmo, com apenas 4 meses, eu e meu marido Marcelo optamos pelo berçário. Apesar da ajuda das avós, precisávamos de alguém em período integral para ficar com ele. Minha profissão exigia isto. Como não tínhamos alguém de confiança, esta foi a opção.

Visitamos berçários, tínhamos várias indicações. E, com o nosso olhar “clínico” e exigente de Pediatras, escolhemos aquele que achamos ser a melhor opção. A nossa melhor opção. Com certeza não era a do Bruno.

Meu sogro até que tentou me fazer desistir... Parar de trabalhar por um tempo não estava em jogo. Amo minha profissão!

Arrumei a mala um dia antes, separei tudo com uma dor no coração que nem eu sei dimensionar. E no dia seguinte, no horário marcado, eu e Bruno estávamos lá. Prontos para a adaptação.

Ele entrou, brincou e não chorou. Eu em prantos, me afastei, fazia parte do processo. No fundo torcia para que ele abrisse o berreiro também, era a desculpa que eu queria para levá-lo para casa.

Foi assim por uma semana. No começo entrávamos juntos, depois me escondia, ficava um tempo esperando, saia um pouco, depois vinha buscá-lo. Sempre limpinho, cheiroso e FELIZ! Era assim que ele voltava todos os dias. Feliz! Ele já estava adaptado, eu precisaria de mais um tempinho... Como ele podia estar tão independente, tão rápido??

Infelizmente depois de uns 3 meses e tantos resfriados depois, foi hora de sair do berçário e voltar para casa. Decisão difícil, ele adorava a escola e as professoras. Foi ruim para todo mundo, mas deixamos nosso espacinho reservado.

Depois de alguns meses em casa e totalmente recuperado, voltamos à escola. Agora maior e mais forte, quase um homenzinho, rsrs. Homenzinho? Tinha apenas 10 meses!

Confesso que foi bem mais fácil, chorei menos. Ele já conhecia todo mundo, já conhecia o lugar e a relação de confiança já estava bem fortalecida. Desta vez, nem precisou fazer a adaptação. Ele queria mesmo era brincar...

Meu filho é espetacular! Toda mãe diz isto. E deve dizer mesmo. Afinal, fazemos escolhas para que eles tenham sempre o melhor do mundo. Mas posso dizer que o Bruno é diferente mesmo... Inteligente, esperto, rápido no raciocínio. E garanto, o estímulo que ele teve contribuiu muito para isto.

Ah! Perguntem para o meu sogro o que ele acha agora? Com certeza, acha que estávamos certo.

O tempo passou, ele cresceu, e chegou a hora de mudar de escola. Pena, nós gostávamos tanto desta...

A adaptação na outra escola foi tranquila. Ele adora os novos amigos e faz questão de não faltar nunca.

Ficamos grávidos, o Theo nasceu, e o ciclo recomeçou...

E agora? Como será desta vez?

Com medo que o Theo ficasse doente como o Bruno e com uma pessoa de confiança ao nosso lado, optamos por deixá-lo em casa. Mas sempre com a pulga atrás da orelha. Será que estamos certo de privá-lo dos mesmos estímulos e desafios que o Bruno teve?

Passados 9 meses, Theo já acostumado com a rotina e nós acostumados a almoçar todos os dias com ele em casa, nossa babá pediu para ir embora. Desta vez, os filhos precisavam dela. Perfeitamente compreensível, nós também passamos por isto.

Foi então que nos vimos diante da escolha: babá ou berçário?

E diferente da primeira vez, resolvemos que o Theo iria para o berçário. Com o coração apertado, marcamos a data. Quinta feira pós carnaval!

Vocês querem saber qual escola? Não poderia ser diferente. A mesma que o Bruno foi! Por lá deixamos amigos, pacientes e ótimos profissionais. Não tinha o que pensar. Não tinha porque mudar.

Como da outra vez, arrumei a mala um dia antes, coração doendo de novo. Era a segunda vez, deveria ser diferente, mas era a primeira vez do Theo, não tinha como não sofrer.

Na manhã de quinta, Marcelo saiu de casa com os olhos cheios de lágrimas, me ligou várias vezes para saber se já estava na escola.  Depois de tanto enrolar, lá fui eu para mais uma adaptação.

Entramos, todos felizes com nossa volta, eu com um nó na garganta... E o Theo? Curioso, queria olhar tudo, conhecer todos os amigos. Nem olhou para mim.

Querem saber se chorei?

O que vocês não podem imaginar é que neste dia tive um ombro amigo sensacional. Ao sair de casa, Bruno fez questão de ir junto fazer a adaptação. Parecia ele o “Pai” do Theo. Todo orgulhoso, mostrava os brinquedos que um dia brincou, mostrava a professora dele, a sala, os amigos.... Olhava para mim e piscava, dizendo com os olhos que estava tudo bem. Como não dizer que ele é espetacular?

Chegou a hora de sair, foi uma saída à francesa, de fininho fomos nos afastando. Theo ficou brincando no balancinho e dormiu.

Com os olhos aguados, me despedi das meninas e o Bruno percebendo que eu estava um pouco triste, nervosa, preocupada, me abraçou e disse: Mamãe, vai ficar tudo bem!

Saímos de mãos dadas e ele: mamãe, agora podemos ir para minha escola? Já estamos atrasados!

Nesta hora ele ganhou o maior beijo do mundo e eu a certeza de que tínhamos feito a melhor escolha.

Depois de alguns dias, Theo está totalmente adaptado. Reclama um pouco apenas para comer, mas em casa ou na escola é do mesmo jeito.

E eu? Acostumando com a nova rotina... mas com o coração bem mais tranquilo.

 

Obrigada a todos que nos apoiaram e nos criticaram nesta decisão. Cada um tem seus motivos, e nós entendemos todos.....

Obrigada as avós Sandra e Ester. Vovó Sandra que tem a difícil missão de dividir o tempo entre os netos e o trabalho e que pode ficar com as crianças nos finais de semana. Vovó Ester que tem o privilégio de poder ficar com eles durante a semana e que me socorre quando tudo parece estar perdido.

Obrigada aos avôs Ademir e Wilfrido, motoristas de plantão. E que agora terão um caminho mais longo a percorrer. Duas escolas, duas cadeirinhas.... Não aceitamos reclamações, hein?!

Obrigada a todos os tios e tias, malucos ou não, por serem tão presentes na vida dos meus filhos. Eles só ganham com isso!

Obrigada aos meu sobrinhos, que são companheiros e os espelhos da bagunça, das coisas certas e erradas e que faz com que eles aprendam com isso.

Obrigada ao meu marido Marcelo, que ao meu lado está construindo uma família que considero perfeita. Amo você.

Obrigada principalmente à vocês meus filhos. Obrigada por existirem, por fazerem a minha vida tumultuada e muito feliz.

Filhos, que Deus permita que eu e seu Pai tenhamos sempre sabedoria e força para tomarmos sempre a decisão correta, mesmo que ela seja difícil. E se vocês não entenderem, acreditem na gente! Tudo o que fazemos é para o melhor de vocês.

Minha mãe e meu pai sempre diziam: Quando você for mãe, vai me entender. Hoje eu entendo. E acho que vou ter que repetir esta frase algumas vezes para vocês. Mas não me importo, porque sei que isto fará diferença para que vocês saibam sozinhos tomarem as decisões corretas. 

Mãe e Pai, obrigada por mesmo trabalhando tanto, terem sido sempre presentes e terem me ensinados valores tão importantes que hoje ensino aos meus filhos.

Esta foi minha adaptação, digo minha porque para eles passou como uma brincadeira. Mas, por mais difícil que pareça, tem um final feliz.

Marcelo, Bruno e Theo AMO VOCÊS!!!

 

Por: Camila Reibscheid / Clínica Infantil Reibscheid

 

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Comentários

Gabriele

Olá Camila Sensacional o seu depoimento porque traduz extamente tudo o que eu queria dizer... Sou advogada "workaholic" de carteirinha em plena ascensão profissional.. sempre trabalhei e viajei muito, inclusive durante a gravidez.. Quando bebê nasceu, ainda que sob muitas críticas que me feriam, o bebê foi para o berçario, em vez de ir para a casa da avó.. Eu trabalhava 14 hs por dia e o via durante o dia apenas para amamentá-lo.. Bem, não suportei e abandonei o trabalho com a desculpa de estudar para concursos, mas o mantive no berçario, por prezar, especialmente, a sua estimulação, a interação com outras pessoas etc Às vezes penso que devo tirá-lo para ficar comigo..outras vezes acho que estou fazendo tudo errado e que o berçario é uma exposição desnecessária e logo desejo fazer tudo diferente na próxima vez, igualzinho como vc fez.. Só Deus para acalmar nossos corações! ..e depoimentos como o seu, claro! Às vezes acho que vou transbordar! É preciso dividir as nossas experiências,não é?! Aproveito a oportunidade para desejar à vc, amanhã, um feliz dias das Mães ! Até mais!

Gabriele, obrigada! Sentimentos de mãe são assim, cheios de altos e baixos. Isto porque queremos sempre o melhor para nossos filhos. Tenho certeza que fiz a melhor escolha e você também terá. Abs e feliz dia das mães também!

Karen Farias

Dr. Camila Ainda não tenho filhos, mas estou aqui com os olhos cheios de lágrimas ao ler seu depoimento. Acredito que esse site é um presente para pais/mães presentes e pais/mães futuros. Tudo muito belo. Obrigada!

Karen, obrigada. Você também passará por isso um dia. Abs

Leticia Ferreira

Camila, Lindo texto!! Me emocionei, principalmente por ter feito parte da vida do Bruno!! Posso vê-lo falando com vc.... Beijos Lele

Obrigado Tia Lele... Vc foi muito importante nesse processo com o Bruno!!! Bjs

Gisele

Camila parabens por nos contar a sua linda esperiencia e mais uma vez confirmar que è dura e dificil pra todos essa decisao. Sou enfermeira e trabalhei com o Dr Marcelo a muitos anos atras no berçario do Sao Luiz, hoje tenho um maravilhoso filho de um ano , Henrique , e tambem passei por isso, mas no meu caso è um pouco mais dificil estando longe dos avos e nao tendo ninguem de confiança por perto. Realmente eles adoram o berçario, na entrada è sempre uma festa e na saida mais ainda. Neste momento estou vivendo outro drama , o de ter que abandonar o berçario por incompatibilidade de horario, volto a trabalhar novamente full time e vou ter que fazer turnos com meu marido e qdo nao tiver mesmo outro jeito, vou ter que optar pela baby siter, huffa!!!! Me emocionei muita. Um abraço a vc e ao Dr Marcelo.

Obrigado por nos acompanha Gisele. Abs e boa sorte nesta nova etapa na sua vida.

Andresa Ramos

Nossa, esse texto me fez chorar porque passei pela mesma situação de colocar o Rafa no berçário há 2 semanas e estou tranquila com a minha decisão.

Não é nada fácil, mas é ótimo para eles. Abs

Michela Gladys Lázaro

Camilinha linda!!! Por isso te amamos tanto e te escolhemos para cuidar do nosso bem mais precioso, e somos totalmente fiéis a vc!!! Pela MÃE que vc é, pelo AMOR que dedica a sua profissão, pelo CARINHO e DISPONIBILIDADE de sempre e por, além de tudo, COMPARTILHAR os seus sentimentos conosco. Bruno e Theo são meninos especiais e iluminados! Sou fã dos dois, vc sabe! E devo dizer que me emocionei muito com seu texto e com a sensibilidade do Bruno. Passei por isso também e, graças a Deus, com a sua ajuda na época! super beijo nesse seu imenso coração

Vocês são demais!!!! Bjo grande

Ana Paula

Lindo relato, nos emociona e encoraja a todos nós pais que passaremos pela mesma situação. Abraços e parabéns pela linda família. Ana Paula, Junior e Mariana

Muito obrigado Ana Paula e boa sorte!!! Abs

Erika Sato

Olá Dra. Camila! Lindo o seu depoimento! Fiquei com os olhos aguados tbém! Estou passando por isso com o Felipinho... Apesar de reclamar um pouco na hora em que o deixamos na escolinha, ele tem ficado super bem, dorme bem, come bem, brinca bastante e estamos percebendo que ele está se desenvolvendo rapidamente, tanto na coordenação motora fina, qto na fala! É sensacional! Sofremos um pouco com o resfriado que ele teve mas sei que ainda virão outros. Ainda bem que tenho minha mãe p/ dar uma mão... Foi ela que me ajudou nestes dias que ele ficou doentinho... Parabéns pelo depoimento e pelo site. Estou sempre acompanhando! B-jos a toda a sua linda família!

Érika, obrigada! Filho doente deveria ser proibido! bjo

silviane maffei

Lindo texto, sensível, emocionante e muito verdadeiro na vida de diversos pais. Realmente a maior adpatção são para os pais, e que me perdoem os papais, mas acho que em especial para as mães, mas ao olhar o rostinho feliz dos nossos pimpolhos toda a ansiedade e preocupação minimizam. Abraços.

Muito obrigado Silviane. Realmente não é fácil. Abs

Maristella Bergamo Francisco dos Reis

Camila lindo o texto...estou passando por essa adaptação com o Lucas,porém tenho uma babá de confiança e minha sogra "supervisionando"sempre que pode... deixar de exercer a pediatria, impossível, como vc, amo a profissão...diminuir a carga foi a solução, pelo menos por enquanto. O que descobri é que ele fica bem melhor sem mim do que eu sem ele... um grande beijo à vc, meninos e Marcelo, parabéns de novo pelo site

Verdade! Eles ficam muito bem, a gente que sofre bastante. Que bom que vc tem sua sogra. Fica mais fácil. No final, dá tudo certo. Saudades. Bjo

Denise Gurgel

Que lindo depoimento Dra. Camila! E que especiais são os seus filhotes! Fiquei admirada com a sensibilidade do Bruno, que amor bonito ele tem pelo Theo! Abs

Obrigada! Realmente eles se adoram e o Bruno faz questão de participar em tudo. Bjo

Juliana Szczupak Villa Nova

Camila, Obrigada por dividir sua história com a gente. Passei por isso com o primeiro filho, e agora com o segundo na barriga me preparo para a segunda adaptação. Muito bom poder ler experiências parecidas.. Ser mãe, esposa, mulher, profissional e querer fazer melhor em toda as funções..não é facil. Abraços

Olá Juliana. Isso é verdade. Ainda bem que conseguimos dar conta! Abs

Mariana T. M. Mochizuki

Amei o texto onde exprime realmente como fica o nosso coração de mãe e pai. Passamos por isso este ano com a mudança de escola do nosso Bruninho também.É nessas horas que nossos filhos nos surpreendem e nos mostram quão maravilhosos são.Parabéns a vocês pela linda família que tem e pelos excelentes profissionais que são, que nos orientam e auxiliam em todo o momento a cuidar da melhor maneira possível dos nossos filhos... Um abraço Mariana e Bruninho.

Mariana, muito obrigado pelos elogios. Sempre tentaremos auxiliar a todos da melhor forma possível. Abs

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