Você está em Home >> Comportamento >> Luto Infantil, como abordar ?

Siga:                         Já fez o seu cadastro? Entre aqui.

Luto Infantil, como abordar ?

Desde pequenos somos afastados da idéia de perder algúem. Culturalmente, fazemos isso desde muito cedo... quando aquele peixinho do nosso filho morre, compramos imediatamente outro para que ele não perceba. Quando um cachorro morre, também temos o mesmo movimento, comprar outro, sem falar muito sobre o que passou...

Essas tentativas de “proteger” nossos filhos são embasadas na melhor das intenções, não queremos que essas crianças sofram, certo? Porém, ao mesmo tempo que fazemos isso, não ensinamos essas crianças a entrarem em contato com seu sofrimento e consequentemente, elaborar suas perdas de maneira saudável.

Nesses momentos, converse com a criança, use uma linguagem acessível a ela. Na realidade, ninguém está preparado para uma notícia de falecimento, mas, isso faz parte do ciclo da vida. Então, o ideal para um melhor amadurecimento emocional da criança, é sempre falar a verdade, acolhendo-a e dando o suporte emocional necessário.

Quando a evolução da situação se tornar muito difícil, a ajuda de um psicólogo pode ser fundamental.

Segue parte de um artigo sobre o assunto que acho muito interessante.

“A morte constitui, ainda, um tabu em nossa sociedade, a despeito de fazer parte do desenvolvimento do homem. Este artigo aborda o tema da morte tomando como referência o olhar da criança. Sabe-se que, contrariamente ao que se espera, aqueles que estão em volta de uma criança são pessoas que, por não conhecerem o psiquismo infantil, dificultam o entendimento e o próprio processo de luto frente à perda de pessoas ou animais queridos. Ou ainda, por não conseguirem admitir a idéia da morte em suas vidas, consideram a criança despreparada para tal enfrentamento.

O significado da morte vem sendo estudado, sofrendo influências históricas e culturais ao longo do tempo. Da mesma forma, os rituais a ela relacionados variam de acordo com a história de um povo e sua cultura.

... torna-se freqüente as pessoas evitarem falar sobre a morte e o morrer. Não é de se estranhar que adultos – pais, familiares – tentem “proteger” uma criança da situação que envolve falar sobre a morte ou ver a concretude da morte através do corpo inerte de um ente querido.

Será que crianças de 6 anos sabem o que é a morte?

Será que é cedo ou tarde para falarmos sobre isso com elas?

Como aceitar que uma criança se defronte com a morte do outro, se o adulto não consegue lidar com este tipo de perda e tem profunda dificuldade em deparar-se com um fato real, que busca negá-lo, na maior parte dos momentos de seu dia? Existe hora e momento oportuno para se falar de morte com uma criança? Que momento seria este? Quando ela deixar de brincar com suas fantasias e deixar se aprisionar pelos medos e monstros criados por sua mente infantil, quando ela for capaz de entender os motivos da morte? Quando ela crescer? Isso seria garantia de que haveria o entendimento para a dor da perda?

Trata-se de uma idéia enganosa pensar que uma criança não seja capaz de entender o que acontece com aqueles que morrem.

A percepção e a conceituação da morte pela criança podem ser vistas como uma decorrência natural do processo de desenvolvimento humano, ou elas são alteradas, intensificadas, distorcidas por vivências específicas, como quebra de vínculos ou doenças que colocam a vida em risco?

- Qual a representação existente de morte e como é expressa?

- Qual é a percepção da criança sobre a morte quando está doente?

- Como ela percebe a morte de pessoas significativas?

Estas e outras questões figuram no rol de preocupação de todos que entendem a morte como um evento da existência.

A criança vai construindo o conceito de morte juntamente com o desenvolvimento cognitivo.

Por sua vez, Kübler-Ross (2003) refere que crianças reagem à morte do pai ou da mãe dependendo de como foram criadas antes do momento desta perda. Se os pais não têm medo da morte, se não pouparam os filhos das situações de perdas significativas, como por exemplo, a morte de um bichinho de estimação ou a morte de uma avó, com certeza não ocorrerá problemas graves com a criança.

Bromberg (1998) chama a atenção para a forma que nos comunicamos com as crianças. Ao se comunicar com uma criança sobre a morte de alguém, o uso de certas expressões pode confundi-la. Expressões como “afinal, descansou” pode levar a criança a pensar que, se a pessoa dormir e descansar poderá voltar.

Ao se falar de morte, inevitavelmente, o tema nos conduz ao processo do luto, que se refere ao conjunto de reações diante de uma perda. Lembramos que existem mortes e processos de luto por ausências, separações e vivência de desamparo. O processo de luto se dará diferentemente. Quanto maior o investimento afetivo, tanto maior a energia necessária para o desligamento.

Pais e outros adultos não devem excluir as crianças da experiência de perda como forma de poupá-las. Tal atitude poderá bloquear o processo de luto. Cada pessoa, cada criança vivenciará seu luto de muitas e variadas maneiras.

O primeiro passo para a elaboração do luto é a aceitação que a morte se deu.

Crianças diante da morte reagirão segundo vivências do mundo dos adultos. Como ficamos diante disto?

Autora Ceia Ferreira, MG “

Importante para melhor compreendermos esse processo, são as fases que se atravessa durante o luto: Negação, raiva, negociação, depressão e aceitação.

A raiva após a morte de alguém essencial para a segurança da criança é uma reação esperada que pode se manifestar por meio de comportamento irritadiço, pesadelos, medos ou agressão dirigida aos familiares sobreviventes. De qualquer maneira, sabemos que a reação da criança ao luto está bastante relacionada à forma como os pais ou pai sobrevivente e outros parentes abordarão esta questão com ela nas semanas e meses que sucederão a perda.

Nunes (1998) acrescenta que quando o adulto oculta dela a verdade sobre a morte, pode deixá-la confusa e desamparada, pois possivelmente ela perceberá que algo aconteceu e que todos estão agindo de forma diferente.
A criança deve ficar à vontade para exprimir os seus sentimentos. Não devemos obrigá-la a ir ao enterro ou velório caso ela esteja assustada. Poderá futuramente encontrar outras maneiras de se despedir e recordar através de fotos e lembranças. Caso ela manifeste desejo de participar do velório ou enterro, informe-a sobre o que verá, explique a razão de estarem ali, deixando-a livre para perguntar e para ficar o tempo que desejar.

O fato é que mesmo a criança que não sofreu perdas necessita do adulto para falar sobre a morte e esclarecer suas dúvidas. Converse com ela procurando ser o mais honesto possível. Falar que o morto foi viajar ou dormiu pode criar a falsa expectativa de que regressará, dificultando o entendimento da perda como algo definitivo. Além disso, temos que ter o cuidado de respeitar o seu tempo para compreender a morte, levando em consideração o seu desenvolvimento cognitivo. Crianças pré-escolares acreditam que a morte seja temporária e reversível, tal como acontece em muitos desenhos animados nos quais os personagens morrem e voltam a viver. (PAPALIA; OLDS, 2000, p.365).

Segundo Papalia; Olds (2000) entre cinco e nove anos a morte é percebida como irreversível, mas não como algo natural e universal. Nesta idade, as crianças não conseguem imaginar que elas ou alguma pessoa conhecida possa morrer. A morte é vista como algo distante, que só ocorre com os outros, a menos que haja uma perda de alguém muito próximo. Somente entre nove e dez anos a morte passa a ser percebida como uma interrupção das atividades dentro do corpo, que faz parte da vida, que é natural.

 

Significados

Segundo Bromberg (2000) o significado dado à morte pela criança varia de acordo com alguns fatores, entre os quais o primeiro a ser considerado é a idade, ou melhor, o momento de seu desenvolvimento psicológico. Os outros fatores são a forma com que os adultos lidam com a perda e o binômio quantidade/qualidade de relação tida pela criança com a pessoa falecida. Assim que a criança tem idade suficiente para estar vinculada, pode ter consciência da possibilidade de perder essa pessoa. A autora enfatiza que o medo da morte é originado no medo de perder a pessoa amada, de romper vínculos.

Segundo Aberasturi (1978) citado por Bromberg (2000, p.73) a criança tem consciência da morte desde o início da infância, mas pode não ser identificada pelos adultos porque é sempre expressa com os recursos da criança. Nem sempre ela fala sobre morte, mas pode representá-la lúdica ou graficamente, ou até mesmo na forma de um sintoma. A criança pode até captar, por meio do inconsciente, mortes ocorridas em outras gerações e que venham a constituir um segredo familiar do qual ela também faz parte.

Cabe ao adulto tentar reconhecer a inabilidade que a criança tem em falar sobre esse assunto ou entender esse processo, para que se dê a compreensão da criança sobre a morte. Para que a criança compreenda a morte, com os recursos que sua idade permite, ela não deve ser excluída da experiência da perda. Isso faz com que ela perceba a realidade. Naturalmente, essa realidade será a que a criança puder fazer, encontrando comportamentos e ações que dêem um significado à perda.

Bowlby (1981) citado por Bromberg (2000, p. 73) coloca que a morte existe para a criança sob muitas formas, como um animalzinho, que morto, mostra-se contrário a tudo o que a criança sabe sobre ele. Uma conseqüência natural a isto é a curiosidade da criança sobre o que acontece nesse estado e uma aceitação das emoções daí emergentes: sentir-se triste, desejar a permanência do morto, desejar fazê-lo reviver.

Reforço a importância do acolhimento emocional à esa criança por parte dos familiares. E que a ajuda de um profissional de saúde mental pode agir como um facilitador desse processo.

 

Por: Fernanda Grimberg - Psicóloga

 

 

| Enviar para um amigo | Imprimir | Comentar

 

Comentários

Nenhum comentário encontrado

Pediatria em foco

Atualidades | Comportamento | Doenças comuns | Higiene | MÍDIA | Nutrição | Puericultura | Saúde | Segurança | Vacinas | Curva do crescimento
DICAS | PERGUNTAS FREQUENTES | Cadastre-se

Pediatria em Foco © 2012. Todos os direitos reservados.

 

Clinica Infantil Reibscheid

Clínica Reibscheid | Links | Localização | Fale Conosco

Clínica Infantil Reibscheid © 2012. Todos os direitos reservados.

Telofone:  11 3801-2676

Horário de funcionamento / atendimento: Segunda a sexta, das 10h às 19h

 

Desenvolvido por: Floot Digital